Conheça um guia semi-definitivo para a obra do Clube da Esquina

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Clube da Esquina

O canal do Youtube Três Álbuns – Música Pra Tudo é capitaneado pelo Lucas Cardoso, de São Thomé das Letras, e costuma fazer vídeos mostrando, como o próprio nome diz, Três Discos sobre algum tema específico. Mas dessa vez, Lucas foi mais longe e fez um especial incrível elencando os discos que fizeram parte do chamado Clube da Esquina. Sim, ele vai muito além do clássico álbum de 1972, contando com trabalhos incríveis de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Som Imaginário e mais. Confira:

Construindo Audiofusion Bureau: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o trabalho do estúdio

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o pessoal do estúdio Audiofusion Bureau, que indica suas 20 canções indispensáveis que mostram um pouco do que eles fazem em seus trabalhos. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rafa Carvalho

In Flames“Minus”
É por isso que eu trabalho com musica. Foi a música que me fez querer fazer o que eu faço. Por muitos anos o In Flames foi minha banda favorita e a produção desse disco é algo que, fora esse lance de realmente ter marcado a minha vida, abriu a minha visão do heavy metal dos anos 2000. Pesado e acessível, pra dizer o mínimo.

Head Control System“It Hurts”
Kris Garm cantando, Daniel Cardoso fazendo todo o resto e uma das masters mais altas que já ouvimos na vida. Acho que esse eh o nosso disco de produtor favorito. As linhas do Garm provam o pq ele é o melhor vocalista do metal da atualidade. Compressão de verdade, tudo na cara.

Massive Attack“Dissolved Girl”
Brincava com uns amigos que existia uma “escala ‘Mezzanine’ de peso”, onde um “Mezzanine” era algo pesado pra burro. Acho inclusive esse disco mais denso que um monte de metal/hardcore por ai. Essa música é uma síntese boa dessa definição: Dub, delay, ebow, timbres e riffs de guitarra pesadíssimos, baixo na cara. Mixado pelo Mark ‘Spike’ Stent, um dos meus ídolos. Um dos melhores shows que já assisti na minha vida também.

Dub Trio feat. Mike Patton“We’re Not Alone”
O Dub Trio é a banda que eu queria ter na minha vida. E o Mike Patton é o cara que eu queria ser quando eu crescesse. Essa música fez eu deixar de achá-lo superestimado, fez eu entender o dub como estética [Desculpa Bad Brains, ainda era jovem.]

O Bardo e o Banjo“Go Away”
Uma parte dos serviços oferecidos pelo estúdio é a produção e operação de shows ao vivo. E eu acompanho o pessoal do O Bardo e o Banjo há uns anos. Já gravamos coisas com eles aqui e passamos bons tempos juntos na estrada. Essa é do primeiro disco e gosto bastante, até por ser um som lado B deles. Pra nunca deixar de trabalhar com amigos!

Explosions In The Sky“First Breath After Coma”
Fora a maestria nos timbres de tudo, e é incrível como ao vivo soa monstruosamente similar, posso dizer que os texanos foram algumas das pessoas mais legais com quem já trabalhamos ao vivo. Aula de simpatia e de postura e que mudaram minha forma de encarar a rotina ao vivo!

Deftones“Digital Bath”
O melhor som de caixa de bateria do mundo está nessa música. Abe Cunningham, Terry Date e OCDP. Isso ao vivo soa um soco no estômago. “White Pony” é um marco na nossa geração.

E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante“Todo Corpo Tem um Pouco de Prisão”
Acompanho o corre dessa molecada a um tempo e de vez em quando dou uma força nos shows também, quando o Berna não consegue estar junto. E num caso parecido com o EITS ai de cima, acho foda como os timbres são parecidos. Fora a energia e a entrega deles

U2 “Gone”
Tenho tendência a gostar dos discos que ninguém gosta com as minhas bandas favoritas. O “host”, do Paradise Lost, o “Butterfly FX” do Moonspell. Enfim… O “Pop” do U2 foi o que me fez perceber isso. Além de todas as histórias do showbiz que cercam o disco, eu sinto uma banda fora do seu estado natural e isso soa desafiador. Parece até que eles desafiam o ouvinte, tipo “é estranho memo, e ai? qual o problema?”. Acho que ninguém além deles teria a mão de fazer o que fizeram na época. E o time de produção. Flood, Alan Moulder, Nellie Hooper, Mike Spike Stent, só gente que gosta de bagunça e de som torto.

Alexisonfire“Sharks And Danger”
Fui um jovem emo. E acho o “Watch Out” o melhor disco desses caras aqui. Fora o valor sentimental, gosto muito dos arranjos, dos timbres, da produção e do storytelling dessa composição.

Rafa Gomes

Limp Bizkit“Pollution”
Essa é a faixa que abre o ‘Three Dollar Bill, Yall$ ‘ do Limp Bizkit, acho que foi a primeira vez que eu ouvi um disco até parar de funcionar, obviamente não ouvi no ano de lançamento, talvez eu tenha conseguido uns 2 ou 3 anos depois… mas era uma pegada absurda, numa mistura intensa pra caralho de rap com rock/metal. marcou bem pela energia da parada.

Tool“Sober”
Mais uma vez pela pegada, uma melancolia escancarada nas melodias de guita e linha de voz, que parece que foi gravada num poço regado à IR (impulse response) de depressão.

Stone Sour“Get Inside”
Comprei esse disco pela capa (que não tem nada demais), como fiz com um monte de outros.. Só chegando em casa, lendo o encarte q eu fui ver q era uma banda com o Corey e achei do caralho! Outra sonoridade, mix mais mais crua, mais direto e ao mesmo tempo mais melódico que o Slipknot, a partir desse disco que fiquei na caça de projetos paralelos de músicos.

Symphony X“Inferno”
Essa o Rafael Carvalho vai me xingar! (Risos) Mas é um gosto pessoal que veio bem na época q eu comecei a trabalhar em estúdio, eu tocava uns sons do Symphony X com uma banda que eu tinha. Apesar do som ser trampadasso, as bateras tem um som muito MIDI, muito! Eu chutaria que é TODA sampleada, quase não tem som de prato, chimbau… nada! Depois disso que descobri a mágica das baterias programadas. Benção.

A Perfect Circle“Passive”
A compressão bonita ta nesse som, nesse disco, nessa banda… Tudo tem tá apertado, mas apertado gostoso! hahaha a música é boa, mas os timbres e a mixagem tem destaque.

Dead Fish“A Urgência”
Sempre quis ter uma banda de hardcore qndo era moleque, mas nunca tive capacidade ‘baterística’ pra tocar, a mixagem é melhor do que a do disco seguinte, aliás… acho que a mix mais legal do Dead Fish tá nesse disco. Apesar de ter 14 anos, ainda uso de referência.

Opeth“Harvest”
E no top 5 (ou 3) no quesito mixagem, masterização de metal vai pra esse disco (“Black Water Park”), no meio de uma carrilhada de ciosa, tudo soa bem e pra completar.. no meio da desgraceira tem essa faixa. Foda.

Porcupine Tree“Blackest Eyes”
Steven Wilson é o frontman da banda e por acaso (ou não) é o mesmo cara que produziu, gravou e mixou o “Blackwater Park” do Opeth citado acima, o cara tem a mão pra trabalhar com timbres limpos e com sonoridades densas. acho bem foda.

N*Sync“Bye Bye Bye”
Ok, é estranho? Não! Puta som! Me formei em Tecnologia em Produção Fonográfica (Produção de Música Eletronica) e aprendi a ouvi, curtir e pirar nesse processo de produção com sintetizadores, samples, efeitos. Eu ja gostava como ouvinte desse universo eletrônico desde as gotiquera ’80, mas os pop ’00 me abriram bastante a mente como produtor.

Haikaiss“Síntese do Um”
O “Incógnico Orcherstra” do Haikaiss foi o primeiro disco de rap que masterizei pelo AFB a full e essa faixa em específico eu lembro de ter ouvido pra caralho, foi a faixa que usei de referência para toda sonoridade do disco, foi desse trampo fizemos nosso nome como estúdio de masterização, o disco ja tem quase 10 anos, mas ainda tá na pasta de referência.

Almério apresenta o vigor do seu disco no show “Desempena”

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Almério é considerado uma das novas revelações da MPB, o pernambucano lançou seu primeiro disco “Almério”, em 2013, e já dividiu o palco com Johnny Hooker e Liniker no Rock In Rio 2017 e, recentemente, estreou o show “Acaso Casa”, com a cantora baiana Mariene de Castro.
O cantor trouxe ao palco da Comedoria do SESC Belenzinho o show inspirado no repertório de seu mais recente trabalho, intitulado “Desempena”, que contou com apoio do projeto Natura Musical. A abertura do show ficou a cargo da canção que também dá nome ao disco e já iniciou os trabalhos mostrando o vigor extra que o cantor adquire em suas apresentações ao vivo.

Entre os destaques tivemos “Tattoo de Melancia”, “Queria ter pra te dar” e “Do Avesso”. Algumas versões de canções de outros artistas circularam pelo repertório e foram surpreendentes, entre elas “Perto demais de Deus”, composta por Chico César e registrada em seu disco Beleza Mano”, lançado em 1997. Sua letra forte somada a interpretação arrebatadora do cantor Almério, garantiu que versos como “Essa gente é o diabo e faz da vida de deus um inferno” fossem ouvidos, ecoados e compreendidos.

“Divino Maravilhoso”, sucesso da cantora Gal Costa, também marcou presença. Sua letra politizada marcou uma geração em plena ditadura iniciada em 1964 e se mostrou bastante atual. Almério não cansou de mostrar sua insatisfação e em diversos momentos pontuou a importância de “ir para a rua” e protestar contra as atrocidades dos dias atuais.


O cantor se dividiu entre as interpretações vocais e ao mostrar seu talento com alguns instrumentos de percussão, entre eles a alfaia, presença marcante em ritmos como o maracatu e na cena musical pernambucana.
Visivelmente emocionado por estar em São Paulo, o cantor agradeceu diversas vezes pela oportunidade e pelo público presente, que ao final do show estava totalmente extasiado com o espetáculo apresentado. Vale a pena acompanhar esse nome.

Fotos e vídeo: Kláudia Alvarez e Orleans Mariano.

Petit Mort comemora 10 anos de carreira em novo formato duo com crueza e peso extra no seu som

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A banda argentina radicada no Brasil Petit Mort está comemorando nada menos que 10 anos de carreira dedicada ao rock, sempre independente e vigoroso. Para celebrar, mudanças na formação da banda, que virou um duo (Juan Racio foi do baixo para a bateria), a aposentadoria do figurino clássico de peruca rosa e vestido da vocalista e guitarrista Michelle Mendez e um som ainda mais pesado e distorcido. “A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo, conta Michu. “O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições”. Conversei com ela sobre a nova formação da banda e as novas músicas que virão no novo trabalho da banda e já estão aparecendo nos shows:

– Como está essa nova fase do Petit Mort, como uma dupla?

Tá muito massa! A gente na real queria ir mais devagarzinho, ficar mais tempo no estúdio testando o duo e ensaiando antes de sair e tocar ao vivo… Mas apareceram muitos convites massa, então estamos nos conhecendo como duo ao vivo mesmo. A gente toca junto há 10 anos, então aquela conexão tá intacta, quem tem mais desafios é o Juan, que mudou do baixo pra bateria, mas ele tá tocando muito e se sentindo muito bem com o novo instrumento. A galera tá nos motivando muito ao vivo!

– E porque você aposentou a peruca rosa, que era uma marca meio “registrada” da banda?

Porque tava me derretendo de calor nos shows! (Risos) Cachoeira de suor! Mas também para acompanhar essa mudança na banda.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas? Vai sair disco ou EP novo?

Sim, compondo muito, muitas musicas novas. A maioria das músicas nos shows são novas. Muita vontade de lançar disco novo este ano, a vida bota muitas dificuldades no meio, mas vamos achar o jeito de fazer!

– O que pode me falar sobre as músicas novas? Conta mais!

Muita energia. Tentamos compor nos ensaios do mesmo jeito que faríamos a música na hora do show, sentindo o que ela vai precisando pra aumentar a energia de nossos corpos ao vivo. A prioridade é fazer músicas pra nos divertir, e pular, rebolar, descarregar as traves do som e toda a raiva e todos os sentimentos fortes que temos dentro por morar neste mundo injusto. A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo. O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições.

– E como o som mudou com essa mudança pro formato duo?

O som virou um só, tudo pra frente, pesado, baixo forte, guita forte, bateria forte, unificado. É muito envolvente.

– Pode falar do nome de algumas músicas novas? Tipo, o nome das músicas, do que elas falam?

As músicas novas que estamos fazendo ao vivo são “Right Now”, “Through the Hill”, “Last Stop”, “Surprise”, “The Sixth Time “, “Breaking Legs”, “Good Days”, “So Deep”, “Get On the Road” e “To My Neighbors”.
Falam de buscas, falta de ar, opressões injustas, a necessidade de fugir para algum lugar e salvar a todos, a resistência, a luta, o desamor, a vida, o mundo. Muitas imagens e paisagens, atmosferas.

– Como o Brasil influenciou o som e as letras da banda?

O Brasil vem mudando a minha vida desde a primeira turnê, lá em 2012. A gente é muito fã das bandas daqui, então com certeza são parte importante da nossa influência no som. Quem vive a cena autoral no dia a dia absorve muito. Admiramos muitas bandas e músicos. O Macaco Bong mudou o meu jeito de sentir a música, me abriu muitos novos universos. A cena stoner e instrumental daqui também. Mas, principalmente o Brasil me mudou como mulher. O machismo aqui é extremamente forte, e isso me fez repensar muitas coisas. O Brasil tem um monte de mulher foda fazendo música que admiro, me empoderam todo dia. Fizemos 135 shows aqui, em 12 estados, e isso tem influenciado em praticamente tudo nas nossas vidas. Ver os contrastes de realidades, ter vivenciado o golpe, o assassinato da Marielle, a luta dos índios em defesa da suas terras e sua identidade, o assassinato de milhões de espécies no Amazonas pela mineração/soja/gado, a tragédia ambiental de Mariana, a intervenção no Rio, etc… Tudo isso influencia na nossa ira, na nossa personalidade, na nossa profunda tristeza e raiva. A gente tá com muita dor do caminho em que o mundo tá indo e é tudo isso é refletido no som, nas letras e na energia do show.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo rapper Rieg R.

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Rieg - Divulgação 2014 - foto por - Rafael Passos.

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Rieg R. do grupo Rieg.

Afrika Bambaataa & Soul Sonic Force“Planet Rock”

Na música “Leave It To Me” da Rieg estávamos todos no grupo ouvindo muita coisa de música funk, eletrônica e hiphop. A essência dessa música é muita atemporal e incrível. Lembra um pouco também, por um lado, o Furacão 2000 no início aqui no Brasil. Esse beat foi muito presente na infância pra banda toda. Essa mistura doida de estilo, tentando em testar limites e criar algo novo, sem medo. Essa coisa da performance e de se adaptar a ambiente e meio cultural que vive, sem ser igual a todos. Tem toda uma simbologia por trás da parte visual, e experimentações doidas na parte musical – meio laboratório de cientista louco, com beats dançantes e culturalmente relevantes. Total revolucionário.

Tony Allen“Every Season”

Sou apaixonado por esse baterista. Mais uma vez a música que acompanha o disco é “massa demais”, como diríamos aqui em João Pessoa. A “Every Season” é a música que abre o disco. Com uma bateria que praticamente canta a música e te leva para uma viagem suave e mais sólida dentro do afroBeat. É uma ótima música para iniciar uma “pedalada” no Longboard. Pegar um vento na cara e evoluir o espírito em mil anos. 🙂

Damu the Fudgemunk“First Rondo”

God, esse cara é o rei dos beatbreak. Adoro a sonoridade que ele consegue imprimir com a Mpc 2000. Quando começamos a usar uma Mpc 1000, começamos a pesquisar referências e cheguei nele. Ele é um artista e produtor de música americana de hip hop de Washington, DC. Para quem gosta de recortar vai se divertir com ele. A parte Rítmica dele é bem forte. Damu é um verdadeiro garimpeiro a moda antiga.

Devo“Uncontrollable Urge”

Uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos e influência total de estética, atitude e doidice. Eu lembro que uma das primeiras fitas k7 que comprei na vida, bem novinho, era do “Q: Are We Not Men? A: We Are DEVO!” e escutava tanto, tanto, tanto, que tive que consertar a fita algumas vezes já. Depois quando eu achei um VHS com show bootleg deles num mercado de pulgas, eu achei o máximo. Minha cabeça explodiu, hahah. Era punk, sem parecer igual as outras bandas. Era meio nerd com atitude punk. É pop, mas nem tanto. Era meio Kraftwerk, sem ser tão cabeça, mas com conceito também. Tem tantas referências de tantas bandas, que parece um quadro de colagens. Nisso, se transforma numa coisa tão única, doida e multifacetada, que acaba sendo muito original e interessante. A mistura de timbres, guitarras com synth, com visual, com narrativa. Amo demais. Eu tenho esse mesmo carinho pelos B-52s.

DJ Shadow“In/Flux”

A história do hip-hop e trip-hop tem muitos paralelos em comum e tem raízes que se cruzam um pouco. Bebem da mesma fonte que talvez seja o funk americano e o dub jamaicana, e dão ainda mais um jeitinho. Acho fascinante esse colagem de samples para criar algo novo. A ressignificação de momentos passados para criar novos. Eu fiquei bem na dúvida o que colocar como última música aqui na lista, porque tem muita mais coisa que queria citar do mundo hip-hop, dub, rock psicodélica ou música electrónica, mas eu acho que essa música do DJ Shadow tenta juntar um pouco de tudo e consegue. É uma viagem longa, como se fosse você zapeando na TV e tudo fazendo sentido. Esse vibe relaxado, o uso de orquestra sem vergonha, que nem tem com Massive Attack, essa emoção pura – mesmo através de recortes – eu amo. Só nessa música tem sample de Funkadelic, Earth, Wind & Fire, Chase, Mutabaruka, Tribe Called Quest e Alan Ross. Ou seja, uma mistura de vários estilos e intenções diferentes para criar algo novo e seu.

Tormentor Bestial: banda paulista resgata as origens do heavy metal em seu novo vídeo clipe

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Apresentando nova formação, os paulistas da Tormentor Bestial buscam em seu novo vídeo clipe mostrar que a força do heavy metal impera em suas veias. Reunidos há pouco mais de um ano, o grupo traz uma nova versão para musica “From The Past To The Future”, clássico de sua discografia.

Criada em 2008 na cidade de Taubaté, São Paulo, por Luiz Amadeus e seu filho Niko Teixeira, a banda traz originalidade em sua sonoridade heavy metal caipira, aonde o vocalista trabalha muito bem sua voz nas tonalidades, variando muito bem com o gutural feito pelo baixista, o vocalista também impõe sua guitarra, que acompanha uma ótima linha instrumental de toda a banda.

Sendo assim, para o seu novo vídeo clipe, a banda conta com a produção e direção por Cloudye H. Antonye, trazendo cenas captadas no Dona Bier, um conhecido rock bar da cidade de Taubaté, local aconchegante e com estilo pub londrino, que sob a direção de Eliana Camargo tem aberto espaço para as bandas autorais da região.

A nova formação conta com Luiz Amadeus na guitarra e vocal, Eduardo Cabral na guitarra e vocal, Thiago “Animal” Andrade no baixo e  Niko Teixeira na bateria.

Hempadura: hostilidade de rosto limpo aos “5 Tiros”, seu novo vídeo-clipe

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A banda gaúcha Hempadura irá lançar seu terceiro disco intitulado “Art. 331”, uma declaração contra os problemas sociais do nosso país, tema pertinente que a banda destaca em suas letras dentro do seu poderoso hardcore de protesto. Com Kalleb Sanches na voz, Everton Bodão detonando na guitarra, Billy Valdez pelo baixo e Ériton Castilhos segurando ás baquetas, a banda busca trazer voz a sociedade oprimida que sofre todo o dia impunidades não vistas.

Para deixar declarado esta luta diária, a banda lança  o vídeo-clipe do single “5 Tiros” que tem a produção da Hempadura e do Coletivo Catarse com a Montagem / Edição de Billy Valdez e Kalleb Sanches:

“Axé: Canto do Povo de um Lugar” (2017): o auge e a decadência do gênero que chegou a ser o mais popular no país

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Direção: Chico Kertész
Duração: 1h54min
Ano: 2017

Foram pouco mais de duas décadas de sucesso. De suas origens afro no Carnaval da Bahia no final da década de 80 até o final da década de 2000, o axé dominou os meios de televisão e rádio. Mesmo para quem odeia o gênero, o longa é interessante para quem produz ou vive de música, ou mesmo tem curiosidade de saber como movimentos musicais não surgem da noite para o dia. “Axé: Canto do Povo de um Lugar” faz questionar essa curiosa trajetória: Por que o gênero fez tanto sucesso? Por que não se renovou? Essas perguntas e algumas respostas são entregues nesse curioso documentário.

Todos os cantores, produtores e empresários que tiveram importância nessa história dão seu depoimento. Há destaque para momentos como a explosão do Olodum (com destaque para o show com Paul Simon no Central Park e a gravação do clipe em Salvador com Michael Jackson), o “fenômeno” do É o Tchan e a carreira milionária de Ivete Sangalo, que em 2007 gravou o DVD mais vendido da história, seguido apenas pelo U2.

Sincero em seus momentos finais ao abordar o porquê da decadência: A exclusão dos cantores negros, a ganância dos produtores e empresários, a exploração até os limites e a falta de renovação e investimento no cenário, “Axé: Canto do Povo de um Lugar” mostra com eficiência que sim, de 1986 até 2010 (culminando na gravação de Ivete Sangalo no Madison Square Garden), o boom do axé music de fato existiu e o gênero mesmo cambaleante, está ai até hoje. Você pode até torcer o nariz, mas é inegável que ele fez parte da história da cultura popular do país.

Construindo Banda-Fôrra: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda paraibana Banda-Fôrra, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Cidadão Instigado“O Tempo” 
Cidadão Instigado inaugurou um jeito de fazer canção no Brasil. Letra e melodia emocionantes, e mais mil detalhes pra prestar atenção a cada nova audição.

Homeshake“Every Single Thing”
Melhor timbre pop que tem rolado por aí afora. Pra ouvir pensando na vida.

Cátia de França“20 Palavras Girando ao Redor do Sol”
Lembrete eterno de que não estamos inventando a roda e que a música paraibana sempre foi com os dois pés na porta.

Bob Marley“Slave Driver”
Aula de música, história e caráter. Recomendado em doses diárias.

Igor Stravinsky“A Sagração da Primavera”
Uma das muitas drogas pesadas que consumimos nos tempos de pré-produção do nosso EP de 2015, e que reverberou como referência em forma de vocalização na faixa ‘diz nos meus olhos’.

Milton Dornellas“Encanto”
O compositor que tento ser se divide entre antes e depois do disco que abre com essa canção. Sigo buscando a clareza e limpidez na articulação entre melodia e letra que Milton foi capaz de cometer nessa faixa.

Lô Borges“O Trem Azul”
Nessa lista valia pôr o Clube da Esquina inteiro, mas essa faixa fica sendo uma representante de peso da maneira como os mineiros influenciam nossa forma de harmonizar, e também por aquele solinho de guitarra incrível, que aprendi a cantar inteiro.

Guilherme Arantes – “O Melhor Vai Começar”
Nos releases que produzimos ao longo desse tempo de existência da banda, sempre falamos em ‘música brasileira sem estereótipos’. Acredito que a maneira como Guilherme Arantes faz conversar suas referências no rock progressivo, na nossa nova e na tradição da canção brasileira sintetizam bem essa nossa busca. As melodias são belíssimas, e as letras têm esse apelo por ser profundamente simples e irremediavelmente inteligíveis.

Cidadão Instigado“Besouros e Borboletas”
Persigo, observo e admiro as canções do Fernando Catatau. Escolhi essa por ela conseguir arrancar com doçura uma lágrima minha num show deles que assisti.

Gilberto Gil“No Norte da Saudade”
Nas últimas viagens que fiz escolhi essa canção pra ser o primeiro play.
Música pra cima e pra celebrar a instiga de se jogar na estrada.

BaianaSystem“Lucro: Descomprimindo”
Gosto de observar cada detalhe dos shows das bandas do mainstream. No da Bayana não consegui, pois fui sugado pro meio da multidão e me entreguei pras famosas rodinhas dos shows deles. Depois, com uma audição mais cuidadosa, passei a admirar essa música por ter uma crítica social muito forte, muito atual e por transmitir a mensagem através de refrão chiclete e estrofes certeiras.

Beto Guedes“Lumiar”
Essa eu gostaria de ter feito. É uma aula do beto ensinando ao mundo como deve ser o ser.

Gilberto Gil“Ilê Ayê”
Essa música, como boa parte da obra de gil, possui um aspecto interessantíssimo que é a força e o poder que a música (e cultura) afro-brasileira tem. Não só essa música, mas todo o disco ‘Refavela’, possui uma força muito incrível, tanto nas letras como em cada instrumento tocado.

Maglore“Calma”
Música que compõe o disco mais recente da Maglore. Sem dúvida nenhuma essa é a melhor música do disco, a palavra é algo muito presente nesse disco e nessa música não poderia ser diferente. Sem contar também com som da banda como um todo, os timbres maravilhosos que esse disco traz.

Caetano Veloso“Nine Out of Ten”
Essa é uma das minhas músicas preferidas de Caetano e lembro que só conheci esse disco por conta de Banda-Fôrra, que na época nem tinha esse nome, chamava-se Banda Uns. Lembro muito bem de assistir a um show dos meninos tocando o disco ‘Transa’ e depois do show ir correndo para casa ouvir incansavelmente essa maravilha.

Milton Nascimento“Escravos de Jó”
Música que abre o disco ‘Milagre dos Peixes’. Algo que acho muito incrível dessa música são as percussões de Naná Vasconcelos, grande percussionista que infelizmente não está mais entre nós. O que me fascina é a maneira que Nana orquestra toda a percussão da música, criando uma massa sonora incrível que sem dúvida nenhum faz com que a percussão não seja um mero instrumento de acompanhamento e sim que ela se torne um comunicador tal como a voz. Em resumo, a percussão pode não falar, mas ela diz muita coisa.

A Cor do Som“Beleza Pura”
As guitarras de Armandinho nas músicas d’A Cor do Som me impressionam muito. Bahia e Brasil numa fritação canção belíssimas. sempre tento trazer pra meu jeito de tocar a sensação que eu tenho quando escuto as guitarras dele. Não dá pra escutar essa versão de “Beleza Pura” e não querer sair dançando pela casa.

Gal Costa“Vatapá”
Uma das coisas que eu mais gosto na vida é a sensação do fim da tarde em João Pessoa. Principalmente por causa das cores e do brilho das coisas. De maneira geral, gosto de escutar (e fazer) músicas que me remetem a isso. Gal, Caymmi e a cereja do bolo: João Donato (produção musical e arranjos) me transportam diretamente pra um fim de tarde em João Pessoa. Vale escutar esse disco inteiro!

Red Hot Chili Peppers“Sick Love”
Um dos discos que eu mais escutei em 2017-18. Até eu escutar esse disco, Red Hot cumpria uma função mais nostálgica do que qualquer outra. Ouvia mais nos rocks quando alguém lembrava de “Scar Tissue”, “Under The Bridge” ou “Can’t Stop” ou quando o assunto eram os tempos áureos da MTV. Quando ouvi esse disco (“The Getaway”) pela primeira vez que percebi o quanto essa banda é muito foda. “Sick Love” foi a que mais gostei. A Partir desse disco que fui percebendo que as outras músicas e os outros discos são carregadíssimas em sentimentos. Muito verdadeiros. Frusciante (mesmo não estando presente nesse disco) me ensina muito sobre rock, groove e guitarras limpas.

Mac DeMarco“Let Her Go”
Esse disco é sempre à quem eu recorro quando passo mais de 5 segundos e não consigo pensar em alguma coisa pra ouvir. sempre. timbres lindos, sensibilidade altíssima. “Let Her Go” sintetiza bem a capacidade que esse disco tem de colocar meu dia pra cima. Altíssimo astral. Fica ainda mais alto astral se for ouvida naqueles finais de tarde super vermelhos de João Pessoa.

Isabella Taviani comemora 15 anos de carreira na Casa Natura Musical

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Na sexta, a Casa Natura Musical recebeu a cantora e compositora Isabella Taviani, na estreia da turnê nacional do show IT – 15 Anos, Eu e Você. Acompanhada por Cacá Lazzaris (bateria), Marco Brito (teclados), Felipe Melanio (guitarra e Violão) e André Vasconcellos (baixo e produção musical), neste novo show Isabella Taviani viaja no tempo em um set list recheado de seus maiores sucessos com novos arranjos.

A abertura do show ficou a cargo da canção “O Farol”, com sua letra e interpretação viscerais. Nesse momento, o palco estava com uma tela na sua borda, mostrando apenas a sombra da cantora e de seus músicos. Após o encerramento da abertura, a tela caiu e a platéia foi ao delírio.

De cara, já fomos surpreendidos pelas novas roupagens que as canções clássicas de Isabella ganharam. Destaque para a belissima “Foto Polaroid”, uma das melhores composições da cantora e que foi cantada pelo público com a mesma carga emocional que Isabella apresenta em suas apresentações ao vivo.

Com um set list repleto de hits, não faltaram momentos de total sintonia com a platéia. “A canção que faltava” causou comoção, embalada pelo navegar das mãos dos fãs. Outros sucessos como “Digitais”, “Último grão” e “Diga sim pra mim” marcaram presença.

“Letra sem melodia”, canção registrada no álbum “Diga sim”, ganhou um peso extra em sua versão ao vivo. Surpreendeu e agradou. Outro destaque foi a versão para a canção “Only Yesterday”, clássico da dupla The Carpenters, e que foi interpretada num formato voz e teclado. Emocionante!

“Luxúria”, talvez o maior hit da cantora, graças a sua inclusão na trilha sonora da novela global “Sete Pecados”, encerrou o show com a sensação de dever cumprido. Isabella fez um resgate primoroso de suas canções, satisfazendo fãs de todas as épocas de sua carreira e demonstrando a potência de uma cantora que ainda tem muito mais para apresentar.

Créditos Fotos: Felipe Giubilei